Concordância verbal é a relação harmônica de concordância do verbo com o sujeito de uma oração. A harmonia ocorre ao ajustar corretamente as flexões de número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) de forma que concordem entre si.
O domínio dessas regras é muito importante para qualquer um que precise se comunicar de forma assertiva nos estudos e no trabalho. Por isso, a concordância verbal é avaliada em vestibulares e exames como o Enem.
Neste artigo, você vai conferir tanto as regras de concordância verbal básicas da Língua Portuguesa quanto os casos especiais que geram dúvidas. Confira!
Por que a concordância verbal é importante?
A concordância verbal é uma das principais regras da norma culta da Língua Portuguesa. A relação de harmonia entre sujeito e verbo faz com que o texto se torne claro e objetivo, evitando ambiguidades e ruídos na comunicação.
Confira um exemplo em que a concordância verbo-sujeito não foi respeitada e prejudicou a mensagem:
- “Os alunos da escola visita os museus”.
Na frase, a falta de concordância no verbo “visita” gera ambiguidade sobre o real sujeito da oração (“os alunos visitam” ou “a escola visita”?). Para evitar essa ambiguidade, as possibilidades corretas de concordância são “Os alunos da escola visitam os museus” ou “A escola visita os museus”.
Usar corretamente a concordância verbal evita ruídos na comunicação, sejam em e-mails, relatórios e apresentações, por exemplo.
Nos estudos, a concordância verbal é essencial a todo o momento: é um dos assuntos que mais caem no Enem, nos vestibulares e nos concursos.
Concordância verbal na fala e na escrita
Em situações de informalidade do dia a dia, é normal e aceitável ouvir frases sem concordância. Geralmente, isso não impede a compreensão do que está sendo dito. Veja exemplos a seguir para entender melhor.
- “Os menino foi pra escola”;
- “Os funcionário estão atrasados”.
A falta de concordância verbal na fala é tolerada, mas isso não quer dizer que podemos desconhecer as regras. Na escrita, especialmente em situações profissionais e acadêmicas, a norma culta precisa ser seguida.
Regras básicas de concordância verbal
A principal regra básica de concordância verbal é concordar o verbo com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa. Ou seja, o verbo e o sujeito devem estar flexionados de forma a transmitir a mensagem da oração corretamente e em concordância.
O verbo deve estar de acordo com a conjugação verbal de cada pessoa da lista a seguir.
- 1ª pessoa: eu (singular) ou nós (plural);
- 2ª pessoa: tu (singular) ou vós (plural);
- 3ª pessoa: ele/a (singular) ou eles/as (plural).
Confira um exemplo simples de certo e errado na concordância verbal.
- Errado — “Os professores explica a matéria com clareza”.
Na oração acima, o sujeito “professores” está na terceira pessoa do plural, enquanto “explica” (verbo) está no singular. Ou seja, as flexões de verbo e sujeito não estão concordando. Ao flexionar o verbo para a 3ª pessoa do plural, temos a oração gramaticalmente correta.
- Certo — “Os professores explicam a matéria com clareza”.
A seguir, veja as variações de concordância verbal com diferentes sujeitos.
Concordância com sujeito simples
O sujeito simples é o que tem a concordância mais fácil de identificar. Na oração com esse tipo de sujeito, há apenas um substantivo ou pronome ligado à ação do verbo. A palavra ligada à ação do verbo é chamada de núcleo do sujeito.
Veja exemplos de concordância com sujeito simples.
- “A professora explica a matéria com clareza”. A oração está correta, pois “professora” é um sujeito simples na 3ª pessoa do singular, enquanto o verbo “explica” está conjugado em harmonia com o sujeito;
- “Os alunos participam das atividades propostas”. “Alunos” (sujeito) e “participam” (verbo) estão conjugados corretamente na 3ª pessoa do plural.
- “Eu estudo todo dia para melhorar minhas notas”. “Eu” (sujeito) e “estudo” (verbo) estão na 1ª pessoa do singular.
Em alguns casos, o sujeito da oração pode estar acompanhado de outras palavras que o alteram ou o qualificam, que são os objetos ou complementos. Isso pode dificultar a concordância verbal.
Abaixo, confira uma dica para driblar essa dúvida.
- “A maioria dos alunos prefere estudar à tarde”. Para fazer a concordância com o sujeito da oração, temos que ignorar os complementos e identificar a palavra central (o núcleo do sujeito) que está sob ação do verbo.
Então, “maioria” é o núcleo. Como é uma palavra no singular, o verbo (“prefere”) está também no singular para haver concordância.
Concordância com sujeito composto
Como vimos, o sujeito simples tem apenas uma palavra central ou núcleo sob ação do verbo. No sujeito composto, existem dois ou mais núcleos.
Para identificar a concordância verbal com sujeito composto, é necessário observar se o verbo está antes ou depois do sujeito. Existem algumas regras específicas. Confira exemplos.
- “Ana e Elisa chegaram atrasadas”. Nesse caso, o verbo está depois do sujeito e no plural, pois tem efeito sobre dois núcleos. “Ana” é o primeiro núcleo do sujeito e “Elisa” é o segundo núcleo;
- “Chegaram atrasadas Ana e Elisa”. Ao inverter a posição do verbo para o início da oração, a conjugação segue a mesma, pois os dois núcleos estão na 3ª pessoa.
Quando houver mais de uma pessoa no sujeito composto, devemos considerar as seguintes prioridades para conjugar o verbo: 1ª pessoa > 2ª pessoa > 3ª pessoa.
Isso significa que quando o sujeito composto combina pessoas diferentes, o verbo deve concordar com a pessoa mais próxima da hierarquia. Veja um exemplo!
- “Eu e meus colegas fizemos a prova”. Nesse caso, o sujeito tem dois núcleos (“eu” e “colegas”). De acordo com a regra acima, a 1ª pessoa é a prioridade e prevalece sobre as outras para a concordância. Portanto, o verbo concorda com a primeira pessoa;
- “Eu e você precisamos estudar mais”. Concorda com a primeira pessoa (“eu”).
Essas são as regras mais comuns para concordância verbal. Porém, existem ainda casos especiais de concordância aos quais precisamos estar atentos para evitar erros.
Casos especiais de concordância verbal
A Língua Portuguesa é complexa e, com isso, surgem exceções às regras de concordância verbal.
Os casos especiais seguem uma lógica própria, que também precisa ser compreendida e empregada em vestibulares e concursos para não perder pontos. Confira quais são!
Concordância com o verbo “haver”
O verbo “haver” é frequentemente usado no sentido de “existir” ou para indicar passagem de tempo. Nesses casos, a regra para concordância é mantê-lo sempre no singular. Veja!
- “Houve erros na redação”. A oração quer dizer que existiram erros na redação, ou seja, é o verbo “haver” no sentido de existir. Portanto, o verbo fica no singular.
Outra regra de concordância com o verbo “haver” ocorre em locuções verbais. Nessa situação, “haver” tem forma pessoal, ou seja, está ligado a um sujeito. O verbo deve ser flexionado para o plural normalmente. Confira um exemplo!
- “Elas já haviam terminado a lição de casa” — 3ª pessoa do plural;
- “Nós havíamos combinado a viagem” — 1ª pessoa do plural.
Concordância com expressões partitivas
As expressões partitivas são aquelas que indicam uma parte de um todo, como “a maioria de”, “parte de” ou “grande número de”.
São aceitas duas maneiras de concordância com expressões partitivas. Veja!
- 1ª variação: a concordância é feita com a expressão partitiva. Exemplo: “A maioria dos alunos errou a questão”. Verbo no singular, concordando com “a maioria”;
Atenção: essa é a variação considerada mais formal e recomendada para uso no Enem 2025, redações e avaliações em geral.
- 2ª variação: a concordância é com o substantivo. Exemplo: “A maioria dos alunos erraram a questão”. Verbo no plural, concordando com “alunos”.
Concordância com pronome “se”
A concordância verbal com o pronome “se” segue duas regras diferentes, dependendo da função na oração.
- 1ª possibilidade: “se” como índice de indeterminação do sujeito. Nessa situação, a concordância ocorre flexionando o verbo para a 3ª pessoa do singular. Exemplo: “Vive-se bem naquele bairro”. Não há sujeito especificado (quem vive). O verbo fica no singular;
- 2ª possibilidade: “se” como partícula apassivadora, usada com um verbo na voz passiva. O verbo vai concordar com o sujeito da oração. Exemplo: “Vendem-se móveis usados”. “Móveis” é o sujeito; o verbo “vendem” concorda com o plural.
Para facilitar, guarde essa dica: analise qual é a função do “se” na oração para, então, identificar a concordância correta do verbo.
Concordância com sujeito seguido de preposição “com”
Lembra do núcleo principal do sujeito, que vimos no início do artigo? Quando o sujeito é seguido da preposição “com”, o verbo concorda com esse núcleo. Veja alguns exemplos!
- “A professora, com os estudantes, decidiu a atividade”. “A professora” é o núcleo central da oração. Portanto, o verbo concorda ficando no singular;
- “Os professores, com o apoio do diretor, decidiram as notas”. “Os professores” é o núcleo central e o verbo aparece concordando no plural.
Concordância com porcentagens e números
A concordância verbal com porcentagem é essencial para interpretar e apresentar dados em ocasiões acadêmicas e profissionais. Em expressões de quantidade como “mais de um” ou “menos de dois” e em porcentagens, a concordância depende do termo especificador. Entenda na prática!
- “Mais de um aluno faltou à aula”. O núcleo do sujeito nesse caso é “um”, portanto, a concordância é no singular;
- “Mais de cem alunos faltaram à escola”. Seguindo a mesma regra, “cem” é plural e pede concordância plural;
- “Pelo menos 10% dos alunos foram reprovados”. “Alunos”, no plural, é especificador da porcentagem. Portanto, a concordância é no plural;
- “Mais de 50% do lucro foi perdido”. Com o especificador no singular, o verbo entra em harmonia ao ser mantido no singular.
Depois de entender as regras de concordância verbal, é hora de conferir quais são os erros mais comuns e como escapar deles.
Erros comuns de concordância verbal e como evitá-los
É comum cometer deslizes de concordância verbal na língua falada e até em textos formais. Relembre alguns erros comuns de concordância e confira dicas para evitá-los, especialmente em um momento decisivo como no Enem e em outros vestibulares!
Erro 1: usar o verbo “haver” no plural.
- Errado: “Houveram muitos problemas na reunião”;
- Certo: “Houve muitos problemas na reunião”.
Quando há um substantivo no plural depois do verbo, tendemos a flexionar o verbo “haver” para o plural. Mas, como vimos, o verbo “haver” com sentido de existir é sempre singular.
Erro 2: flexão incorreta na oração com sujeito composto
- Errado: “Chegou os alunos e a professora”;
- Correto: “Chegaram os alunos e a professora”.
No exemplo, o sujeito tem um núcleo no singular e outro no plural. Quando o verbo está no início da oração, isso dificulta a identificação dos núcleos e causa erro.
Erro 3: expressões partitivas
- Errado: “A maioria dos alunos estudaram muito”;
- Certo: “A maioria dos alunos estudou muito” (indicado para uso formal) / “A maioria dos alunos estudaram muito” (indicado para uso informal).
Como há um substantivo no plural próximo do verbo (“alunos”), tendemos a flexionar o verbo para concordar com o que está mais próximo. O correto é concordar com a expressão partitiva (“maioria”).
Erro 4: uso incorreto do pronome “se”
- Errado: “Precisam-se de professores”;
- Correto: “Precisa-se de professores”.
O “se” nesse caso é usado para indeterminar o sujeito. Portanto, o verbo não é flexionado, como vimos nas regras.
Como a concordância verbal é cobrada no Enem e em outros vestibulares?
A concordância verbal é um dos temas mais recorrentes em vestibulares, no Enem, em concursos públicos e em avaliações de Língua Portuguesa em geral. Ela pode aparecer de forma direta, em questões objetivas que pedem para identificar o verbo correto em relação ao sujeito, ou de forma indireta, sendo avaliada na escrita da redação.
Nesse momento, além da norma culta, também é analisado o repertório sociocultural do candidato. Na redação, a concordância verbal faz parte da Competência I do Enem, que avalia o domínio da norma padrão da língua escrita. Esse critério garante clareza, correção e credibilidade ao texto. Erros nesse aspecto podem comprometer a nota, já que prejudicam a coerência e a formalidade exigida em textos acadêmicos e oficiais.
Como estudar concordância verbal para o Enem?
Para se preparar para o Enem, vale incluir a concordância verbal no seu cronograma de estudos, garantindo revisões frequentes e prática constante. Depois, é importante:
- Resolva exercícios de concordância verbal. Cada prova tem um estilo de questões, então, se você pretende prestar vários exames, é interessante se acostumar com o padrão de cada uma;
- Estude com o apoio das gramáticas para relembrar as regras. Há várias edições disponíveis de grandes gramáticos brasileiros, como a “Novíssima Gramática de Língua Portuguesa”, de Pascoal Cegalla, e a “Moderna Gramática Portuguesa”, de Evanildo Bechara.


Lembre-se de que a concordância verbal é importante não apenas no momento das avaliações, mas também na vida acadêmica e profissional.
Conhecer as variações linguísticas e saber como aplicar a norma padrão será uma grande vantagem para a sua comunicação como um todo!
Prepare-se para o Enem com o Orienta Carreira
Neste artigo, mostramos como a concordância verbal é essencial para a clareza da comunicação, revisamos suas principais regras e destacamos as formas como o tema costuma aparecer nas provas.





